Liberdade para se tratar

Liberdade para se tratar

 

Este texto foi elaborado pelo Grupo ND.

“Os catarinenses assistem ao avanço preocupante da pandemia com o aumento do número de infectados e mortes em virtude da Covid-19. A situação é dramática na rede hospitalar pela falta de leitos de UTIs e respiradores para atender ao número crescente de doentes.

Sem qualquer previsão otimista no médio prazo é importante que a população se conscientize que a pandemia é um gigantesco desafio, mesmo para a ciência e autoridades médicas que ao longo da história se dedicaram a combater enfermidades e preservar a vida.

Neste momento, os maiores especialistas, laboratórios e cientistas trabalham para produzir uma vacina contra a doença. A cada semana surgem novos estudos, novas pesquisas e novas teorias sobre este ou aquele medicamento.

Estamos diante de um novo vírus, para o qual existem muitas dúvidas em relação ao tratamento, quase nenhuma certeza.
Neste cenário, onde a luta pela cura é primordial, não é possível aceitar mais a tutela do Estado em relação à pandemia.

De repente, o Estado se tornou o detentor de vidas, decidindo qual o melhor tratamento ou que medicamentos devem ser ministrados à população para o combate à Covid-19. Defensores e inimigos da cloroquina travam debates violentos em torno do remédio, enquanto doentes morrem todos os dias nos hospitais.

O vírus não escolhe ideologias, não tem preferências partidárias. Lamentavelmente, está ocorrendo neste país uma grave politização em torno do assunto.

Em lugar dos médicos, ministros, governadores, prefeitos, promotores e até juízes decidem pelo cidadão. Com uma canetada podem proibir, autorizar ou estabelecer novo protocolo. É um poder absoluto, quase de vida e morte. Que direito estas pessoas têm sobre os demais cidadãos? Parem com esta intervenção autoritária e deixem este assunto para os médicos. No futuro todos terão de prestar contas de seus atos à população.

Estes governantes também terão de responder, por exemplo, sobre a proibição do uso de medicamentos que, embora sem eficácia comprovada pela ciência, surtem efeito em determinados pacientes e ajudam a salvar vidas.

É preciso que a sociedade tenha conhecimento sobre estes medicamentos. Políticos e governantes se curaram com determinadas substâncias não autorizadas, mas tentam esconder da população esta informação. É um crime que cometem contra os brasileiros, com a justificativa de que não há comprovação científica da droga.

Sob o falso argumento de não ter o aval da ciência, a mão pesada do Estado avança sobre aspectos essencialmente particulares da vida das pessoas. Agem em nome da ciência que não conhecem, proibindo ou autorizando medicamentos. Interferem em uma relação privada e sigilosa entre médico e paciente. Passam por cima dos diretos individuais que são conquistas da cidadania.

A opção pelo tratamento ou medicamento é uma decisão do indivíduo. Somente o doente tem o direito de escolher, em conjunto com seu médico e familiares, como quer ser tratado, que medicamento tomar e que risco pode correr para se curar. Cabe ao Estado colocar à disposição da população a infraestrutura de saúde pública, UTIs, leitos, respiradores, médicos e medicamentos que permitam este tratamento na rede pública ou particular.

Entre os desafios que a pandemia trouxe, o atendimento precoce é outro paradigma que foi quebrado. O Ministério da Saúde adotou este protocolo de atendimento quando surgirem os primeiros sintomas, contrariando decisões que ainda vem sendo tomadas por governadores e prefeitos.
Até então, a palavra de ordem era “fique em casa” e espere o surgimento dos primeiros indícios da Covid-19.

Com isso, muitos doentes chegam aos hospitais em estado adiantado da doença, sem condições de reverter os quadros clínicos mais graves. Ficar em casa ou receber tratamento ambulatorial preventivo pode significar a diferença entre a vida e a morte para milhões de pessoas. Os catarinenses devem exigir que este protocolo de atendimento precoce se incorpore à rede pública do Estado.

As projeções no Estado apontam para um cenário perturbador nas próximas semanas, com UTIs lotadas e um aumento no número de mortos e infectados. Cenários traçados com base em dados e estimativas demonstram que – sem medidas mais efetivas –, em breve Santa Catarina pode ultrapassar a triste marca de mil mortos pela Covid-19.

Diante deste quadro, o Grupo ND decidiu lançar hoje um movimento editorial de esclarecimento público sobre o combate à Covid-19. Nas próximas semanas, vamos trazer exemplos, estimular o conhecimento e, sobretudo orientar a população.

Estamos colocando à disposição dos catarinenses todas as nossas plataformas de comunicação – canais de televisão, portal de notícias da internet e jornal impresso – para iniciar um amplo debate em torno da pandemia.

Vamos ouvir governos municipais e gestores públicos reforçando a liberdade do indivíduo em relação ao tratamento, mostrando os prós e contras das drogas utilizadas, os novos protocolos e a opinião de autoridades da área da saúde sobre a melhor forma de enfrentar o vírus em nosso Estado.

Abriremos espaço para entidades médicas e civis como o Floripa Sustentável e o Social Good Brasil (SGB), que fazem predições usando dados e defendem o tratamento precoce como uma maneira de desafogar as UTIs e evitar a sobrecarga das estruturas dos hospitais, tanto privados quanto do SUS”.

 

Nós do Jornal de Floripa, concordamos e nos colocamos a disposição para colaborar ativamente sobre o assunto.

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